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Ensino Superior  Harvard Business School
inaugura disciplina sobre ética empresarial em Janeiro

Bárbara Silva

| A partir
de Janeiro de 2004, a Harvard Business School, da Universidade
norte-americana de Harvard, irá incluir no seu currículo uma
disciplina obrigatória e mais aprofundada sobre ética empresarial,
denominado «Liderança, Valores e Responsabilidade Empresarial», que
será leccionada durante o segundo semestre do primeiro ano do MBA.
 «Esta nova disciplina é
muito importante porque irá expor ainda mais os estudantes ao tipo
de pressões que irão enfrentar no mundo do trabalho», afirmou Lynn
Paine, professora da Harvard Bussiness School responsável pela
cadeira. Em declarações ao Diário Económico, Lynn Paine afirmou
ainda que o objectivo da nova disciplina – que virá complementar o
seminário de três semanas que os alunos de Harvard frequentam no
primeiro ano do MBA – passa por «dar aos alunos um enquadramento
ético para os processos de decisão com que serão confrontados
durante a sua carreira».
«A nossa intenção é expor os alunos
aos princípios éticos e legais que regem as funções de um gestor ou
de um administrador dentro de uma empresa. Estes são cargos que
acarretam muitas responsabilidades e também a tomada de decisões que
afectam os funcionários da empresa, os clientes e os investidores»,
explicou a professora.
A Harvard Business School, que se gaba
de ter criado a sua primeira disciplina sobre ética empresarial em
1915, começou a reavaliar o seu currículo antes mesmo dos escândalos
que se registaram em várias empresas norte-americanas. Depois das
crises financeiras que se abateram sobre empresas como a Enron, a
Tyco ou a World Com, tornou-se mais fácil para a universidade
convencer o seu corpo docente a apoiar o novo curso sobre
ética.
Na era pós-Enron, nos EUA, os famosos MBA’s de Harvard
tornaram-se alvo de severas críticas por só formarem profissionais
obcecados com a ideia de ganhar dinheiro sem se importarem com as
consequências éticas das suas decisões profissionais. Na opinião de
alguns analistas mais radicais, os graduados de Harvard são «a raiz
de toda a ganância e desonestidade no seio das grandes empresas».
Opinião diferente tem James Aisner, responsável pelo departamento de
comunicação da Harvard Business School. «A ideia de que os graduados
de Harvard são pessoas frias e calculistas, que só pensam em
dinheiro, é uma visão estereotipada e afastada da realidade»,
afirmou Aisner ao DE.
Em resposta a toda esta problemática, o
Presidente norte-americano, George W. Bush – que detém, também ele,
um MBA tirado na Universidade de Harvard –, apelou às «business
schools’ norte-americanas que «sejam escrupulosos educadores do que
está certo e errado, e que não se deixem levar pela confusão moral e
pelo relativismo», citou o Wall Street Journal. As universidades
norte-americanas entenderam o aviso e estão neste momento a incluir
nos seus cursos mais disciplinas centradas na temática da
ética.
Recentemente, a AACBS International, a principal
organização que credencia ‘business schools’ nos EUA, aumentou a
ênfase da ética nos padrões que as escolas têm de cumprir para serem
aprovadas. «Antes do escândalo da Enron, a ética não ocupava um
papel central em muitas escolas», afirmou Carolyn Woo, presidente
das AACBS e directora da Mendoza Business School, da Universidade de
Notre Dame, no estado de Indiana. «Temos de desafiar os nossos
estudantes no que diz respeito aos seus valores e desenvolver neles
uma consciência sobre as consequências éticas das suas decisões
profissionais», reforçou Woo, citada pelo Wall Street
Journal.
No entanto, alguns dos ‘recruiters’ das principais
empresas norte-americanas não acreditam que a ética possa ser
ensinada. Numa pesquisa feita pelo Wall Street Journal e pela
empresa de sondagens norte-americana Harris Interactive, cerca de um
quarto dos inquiridos afirmou que «a integridade é uma
característica inerente à personalidade de cada indivíduo e que as
‘business schools’ não podem ensinar a ética». No entanto, 60%
disseram acreditar que as escolas podem oferecer conselhos sobre
como fazer escolhas éticas ao longo da carreira
profissional.
«É um erro dizer que a ética não pode ser
ensinada numa sala de aula. Nesta nova disciplina do MBA de Harvard,
serão estudados casos reais em que as decisões tomadas pelos
gestores de uma dada empresa tiveram boas ou más consequências»,
afirmou Lynn Paine.
bsilva@economica.iol.pt
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