Miguel Coutinho
O exemplo da TAP




     


   Universidades  


 
 

Ensino Superior
Harvard Business School inaugura disciplina sobre ética empresarial em Janeiro

Bárbara Silva

A partir de Janeiro de 2004, a Harvard Business School, da Universidade norte-americana de Harvard, irá incluir no seu currículo uma disciplina obrigatória e mais aprofundada sobre ética empresarial, denominado «Liderança, Valores e Responsabilidade Empresarial», que será leccionada durante o segundo semestre do primeiro ano do MBA.


«Esta nova disciplina é muito importante porque irá expor ainda mais os estudantes ao tipo de pressões que irão enfrentar no mundo do trabalho», afirmou Lynn Paine, professora da Harvard Bussiness School responsável pela cadeira. Em declarações ao Diário Económico, Lynn Paine afirmou ainda que o objectivo da nova disciplina – que virá complementar o seminário de três semanas que os alunos de Harvard frequentam no primeiro ano do MBA – passa por «dar aos alunos um enquadramento ético para os processos de decisão com que serão confrontados durante a sua carreira».

«A nossa intenção é expor os alunos aos princípios éticos e legais que regem as funções de um gestor ou de um administrador dentro de uma empresa. Estes são cargos que acarretam muitas responsabilidades e também a tomada de decisões que afectam os funcionários da empresa, os clientes e os investidores», explicou a professora.

A Harvard Business School, que se gaba de ter criado a sua primeira disciplina sobre ética empresarial em 1915, começou a reavaliar o seu currículo antes mesmo dos escândalos que se registaram em várias empresas norte-americanas. Depois das crises financeiras que se abateram sobre empresas como a Enron, a Tyco ou a World Com, tornou-se mais fácil para a universidade convencer o seu corpo docente a apoiar o novo curso sobre ética.

Na era pós-Enron, nos EUA, os famosos MBA’s de Harvard tornaram-se alvo de severas críticas por só formarem profissionais obcecados com a ideia de ganhar dinheiro sem se importarem com as consequências éticas das suas decisões profissionais. Na opinião de alguns analistas mais radicais, os graduados de Harvard são «a raiz de toda a ganância e desonestidade no seio das grandes empresas». Opinião diferente tem James Aisner, responsável pelo departamento de comunicação da Harvard Business School. «A ideia de que os graduados de Harvard são pessoas frias e calculistas, que só pensam em dinheiro, é uma visão estereotipada e afastada da realidade», afirmou Aisner ao DE.

Em resposta a toda esta problemática, o Presidente norte-americano, George W. Bush – que detém, também ele, um MBA tirado na Universidade de Harvard –, apelou às «business schools’ norte-americanas que «sejam escrupulosos educadores do que está certo e errado, e que não se deixem levar pela confusão moral e pelo relativismo», citou o Wall Street Journal. As universidades norte-americanas entenderam o aviso e estão neste momento a incluir nos seus cursos mais disciplinas centradas na temática da ética.

Recentemente, a AACBS International, a principal organização que credencia ‘business schools’ nos EUA, aumentou a ênfase da ética nos padrões que as escolas têm de cumprir para serem aprovadas. «Antes do escândalo da Enron, a ética não ocupava um papel central em muitas escolas», afirmou Carolyn Woo, presidente das AACBS e directora da Mendoza Business School, da Universidade de Notre Dame, no estado de Indiana. «Temos de desafiar os nossos estudantes no que diz respeito aos seus valores e desenvolver neles uma consciência sobre as consequências éticas das suas decisões profissionais», reforçou Woo, citada pelo Wall Street Journal.

No entanto, alguns dos ‘recruiters’ das principais empresas norte-americanas não acreditam que a ética possa ser ensinada. Numa pesquisa feita pelo Wall Street Journal e pela empresa de sondagens norte-americana Harris Interactive, cerca de um quarto dos inquiridos afirmou que «a integridade é uma característica inerente à personalidade de cada indivíduo e que as ‘business schools’ não podem ensinar a ética». No entanto, 60% disseram acreditar que as escolas podem oferecer conselhos sobre como fazer escolhas éticas ao longo da carreira profissional.

«É um erro dizer que a ética não pode ser ensinada numa sala de aula. Nesta nova disciplina do MBA de Harvard, serão estudados casos reais em que as decisões tomadas pelos gestores de uma dada empresa tiveram boas ou más consequências», afirmou Lynn Paine.

bsilva@economica.iol.pt
 

 

 
envie o seu comentário
 
nome:
email (opcional):
comentário:
Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão



Publicidade Copyright Ficha Técnica